24.12.05

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente


Vinícius de Moraes

São os "de repente" que fazem doer mais ainda.
Amor tenho. Tempo e espaço concordo. Preciso compreender o que se passa entre os repentes.
Dói aqui. Dor aguda. Mas é dor que sabe como surgiu, o quanto quer e como pode ser curada.

1 Comments:

At 27/12/05 12:48, Anonymous Anônimo tec-tecou e depois clicou...

Manu? é vc? o Manu que eu conheço? Da vacaquedesmaia? Eu nem sabia que vc tinha blog!

 

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