1992 talvez
Às vezes a dor da solidão torna-se prazer
para cura de mágoas dos momentos em que não arriscávamos.
Consciente dadaísmo; "pessimotimisto".
E não posso lhe dizer o que será amanhã.
O prazer da solidão às vezes me faz esquecer
da princesa morte e de seu exército de motivos.
Promessas de núpcias e reino de sonhos.
Pode dizer que o sol ainda há de clarear?
Sol(idão) perdeu-se em si.
Talvez o tenha esquecido num canto atrás
próximo às águas turvas de vacilo contento,
carburado com o álcool, perdido na pupila.
Talvez não conseguiu acompanhar.
O passado apodrece e padeço urina, fezes, suor e vômito.
Saída pela apatia, sangue e livros.
Prantos incontidos. Versos sem estrutura.
Lamenta-se o violão de não poder ajudar.
...saudoso da falta de raciocínio humano.


Corrigindo: 1993, num bar,numa folha de caderno de literatura molhada com rabo de galo: nasceu esse poema.
Molhada não. Embebecida e degustada.
Um brinde a Carreau.